INTRODUÇÃO
Cerca de 3% do total de casos de câncer no Brasil ocorre
em crianças. A literatura é unânime em afirmar que o diagnóstico
e o tratamento dessa enfermidade, que é bastante sofrido
e prolongado, chegando a simular uma segunda doença, causam
uma grande desestruturação emocional em pacientes e familiares.
Na maioria das vezes a principal acompanhante e cuidadora
da criança é a mãe e, portanto, é quem mais sofre e quem
mais a influencia. É de fundamental importância que instituições
hospitalares desenvolvam programas terapêuticos direcionados
exclusivamente a dar suporte emocional a essas mães e atender
suas necessidades. O objetivo dessa pesquisa foi verificar
se a Terapia Floral, método de cura criado pelo médico inglês
Edward Bach no início do século XX, que utiliza essências
vibracionais líquidas preparadas de forma artesanal a partir
da energia das flores, poderia atuar como instrumento de
equilíbrio emocional para mães que estão vivenciando essa
problemática. Uma vez que este recurso terapêutico não envolve
riscos, pois não utiliza princípios ativos químicos e sim
energéticos, é economicamente viável, por oferecer baixo
custo, e tem eficácia demonstrada em reverter estados emocionais
desequilibrados de forma mais rápida que uma terapia verbal,
testar sua ação junto a mães que vivem a problemática do
tratamento de câncer de seus filhos, e verificar a contribuição
que ele pode fornecer no enfrentamento desse drama, é de
grande utilidade para pacientes, familiares, equipe médica
e tantos outros envolvidos nesse processo.
METODOLOGIA
Foi uma pesquisa descritiva, exploratória de caráter qualitativo
realizada na APACC – Associação de Pais e amigos da Criança
com Câncer e Hemopatias, casa de apoio localizada na região
de Campinas que hospeda crianças e adolescentes com câncer
que estão em tratamento em hospitais da região, e que tem
atualmente capacidade para abrigar 56 pacientes e seus respectivos
acompanhantes. Após convite informal realizado durante palestra
explicativa sobre a Terapia Floral e sobre a pesquisa propriamente
dita, as mães que manifestaram o desejo de participar, foram
acompanhadas durante três meses fazendo uso de essências
florais adequadas ao seu estado emocional. Dez mães passaram
a compor a amostra de características bastante diversificadas
quanto à idade, grau de instrução, local de procedência,
tempo de permanência na instituição, a fim de que fosse
possível observar a atuação da Terapia Floral em uma população
o mais heterogênea possível. A entrevista inicial permitiu,
não só adentrar e compreender a vivência dos sujeitos, como
também prescrever a fórmula floral mais apropriada a cada
participante. Entrevistas abertas foram realizadas periodicamente
a fim de colher o relato espontâneo das mães em relação
a essa terapêutica, e adequar o tratamento a novas emoções
que fossem surgindo. No último encontro foi colhido o depoimento
final e a descrição das mudanças que cada uma observou em
seu estado emocional.
RESULTADOS
De um modo geral, todas as participantes da pesquisa, afirmaram
ter obtido melhora em seu estado emocional no decorrer do
tratamento. Sentimentos comuns a todas elas como: medo,
preocupação, ansiedade, tristeza, desânimo, desespero, desesperança,
abandono, foram amenizados sendo que, todas relataram sentir-se
mais equilibradas e com mais coragem para enfrentar essa
situação, como se observa em alguns relatos reproduzidos
abaixo:
“... Estou mais calma e tranqüila (...) ajudou muito
(...) estou pensando em continuar tomando, me sinto mais
equilibrada, não tenho mais crises de choro...”
“... Me sinto outra pessoa (...) descobri uma força
que não sabia que tinha (...) tinha medo e já venci (...)passou
aquela ansiedade...”
“... Deixa a gente mais calma, mais leve, menos preocupada
(...) ajudou, deu um apoio...”
“... Eu adorei o remédio (...). Antes eu sentia que a cabeça
ia estourar, agora melhorou uns 80% (...) Foi muito bom,
fiquei mais leve (...). Meu marido percebeu como eu melhorei
e queria tomar também...”
CONCLUSÃO
Concluiu-se com esta pesquisa que a Terapia Floral, método
ainda visto com certo preconceito pela ciência ortodoxa
e inadequadamente considerado “alternativo” (pois este termo
sugere a existência de duas medicinas competitivas e opostas,
onde uma exclui a outra), foi um mecanismo eficaz para minimizar
o estresse emocional que ocorre em cuidadores informais.
Sendo objetivo maior da ciência médica promover a saúde
integral do indivíduo, deve o profissional desta área utilizar
todos os recursos que estiverem ao se alcance para atingí-lo.
REFERÊNCIAS
BECK, A. R. Tensão Devida ao Papel de Cuidador entre Cuidadores
de Crianças com câncer. 2002. Dissertação (Mestrado em Enfermagem).
Universidade Estadual de Campinas. Campinas.
INCA. Instituto nacional do Câncer. Estimativa 2008- Incidência
de Câncer no Brasil. http://www.inca.gov.br/estimativa/conteúdo.
Acesso em: 03 f3v 2008-05-29
ORTIZ, M. C. M. À margem do leito: A mãe e o câncer infantil.
São Paulo: Editora Arte e Ciência. 2003.
SCHEFFER, M. Terapia Floral do Dr Bach: Teoria e Prática.Trad.
Octavio Mendes Cajado, 10’ edição. São Paulo : Editora Pensamento.
2004
VIEIRA FILHO, H. Florais de Bach: uma visão Mitológica,
Etimológica e Arquetípica. 9’edição. São Paulo: Editora
Pensamento Ltda. 1999
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Telma Kosa Lino Duarte é Nutricionista e Terapeuta Floral,
com pós-graduação em Terapia Floral na Faculdade de Ciências
da Saúde (FACIS).